quarta-feira, 28 de março de 2012

Viver feliz, eis a questão …

 

D'Artagnan e Jolie 032

  Há alguns dias quando abri a minha janela notei uma manchinha branca de aparência indefinida entre as folhas de uma calanchoê.  Debrucei-me para ver mais de perto e descobri uma linda aranhazinha tecendo sua teia. Não resisti e fotografei, era tão pequena que além do zoom, ainda tive que ampliar para que ficasse mais visível. Era amarelinha, com braços ( ou serão patas ?), cor de laranja  e tecia uma teia completamente branca. Não com fios transparentes, mas brancos, opacos. Estava ali, sem se importar com o mundo ao seu redor, envolvida consigo mesma, fazendo o que mais gosta e sabe fazer.

Para alguns seria algo sem importância, mas para mim foi como um sinal, um sinal do que seria minha vida daqui prá frente. E passei esses poucos dias meio que ensimesmada, como um mago tentando decifrar sinais nas estrelas do céu.

E afinal chegou… . Neste 28 de março completo 60 anos e posso me dar ao luxo de dizer que este é o primeiro dia do resto de minha vida.

Há algumas décadas atrás seria considerada uma anciã, no máximo uma simpática velhinha , com os cabelos brancos presos num coque e  discretamente vestida esperarando pacientemente a morte chegar. Quando penso nisso me dá arrepios. Se tivesse que viver naquela época seria uma revolucionária porque definitivamente não conseguiria me enquadrar.

Mas, graças a tanta gente que veio antes de mim, abrindo caminhos, hoje posso me dar a esse luxo. Não pensem que acordei hoje, sacudi minha varinha de condão e virei outra.  Toda transformação demora e é dolorosa. Sou hoje o resultado de anos de aprendizado na escola da vida .Estou me deliciando com a primeira colheita das muitas que certamente virão, como resultado da semeadura que deixei espalhada na trilha que percorri para chegar até aqui.

Nas primeiras décadas de nossas vidas precisamos nos preparar para o futuro, estudando, trabalhando, amealhando . Formando família, criando a família, encaminhando a família e por aí afora. De repente tudo passa e chega a tal síndrome do ninho vazio, não sei quem inventou isso, mas não faz muito o meu estilo, por isso pulei essa.

Estou entrando direto na síndrome da liberdade total e irrestrita, onde o que conta é a qualidade de vida. O medo fugiu pela janela aberta desde que aprendi que tem remédio prá tudo e se não tiver ainda, alguém vai inventar. O que importa é explorar o desconhecido porque o tempo urge e nada melhor do que se aventurar “ por mares nunca dantes navegados “.  E sigam-me os que forem brasileiros, ou melhor destemidos  e que não receiam mergulhar de cabeça na grande aventura da vida sem compromisso com outros e sim apenas consigo mesmo .

 

Essa é minha gata Jolie, que também não se importa com mais nada além de viver. Tem algo mais importante que viver e viver plenamente enquanto se pode? Se alguém souber, por favor, me avise.

Patchwork da Mommy



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