quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Maratona na cozinha

 

De muito bom grado concordo com os arquitetos contemporâneos quando afirmam que a cozinha é o coração da casa. Esse conceito não é novidade, data de sempre. Em todas as civilizações o ato de alimentar sempre foi tido como primordial pois dele depende a sobrevivência. Considero o ato de cozinhar como uma oração de agradecimento ao Ser Supremo que nos concede a  cada dia a possibilidade de continuar vivendo e nos alimentando das dádivas que Ele nos concede. É algo um tanto ou quanto celestial que me aviva os sentimentos de paz, esperança, bondade e alegria.

Preparar alimentos é sempre motivo de muita alegria para mim. Esqueço o mundo lá fora. Aquela profusão de sabores, texturas, aromas que desfilam ali à minha frente prontos para serem combinados e transformados me encanta.   Sinto-me uma verdadeira alquimista, a toda poderosa que reina soberana tendo a sua disposição um verdadeiro tesouro que são os ingredientes.  Tomo entre as mãos uma simples batata, que veio de sob a terra e a torno um delicioso prato de nhoque, que além de tudo, dizem, dá sorte.

Cozinhar para mim tem ainda outro significado. O sentido verdadeiro de ser mãe, aquela que alimenta o filho desde o momento do nascimento, quando o aconchega ao seio para que sacie sua fome com o leite morno que se multiplica como os pães e peixes na Bíblia. Quanto mais o bebê mama, mais leite é produzido, um sinal que Deus está ali presente. E então um belo dia ele passa a necessitar de outros alimentos, quem melhor que a mãe para prepará-los com segurança?  As mães tendem a ser superprotetoras em todos os sentidos, mas na alimentação batem recorde. Talvez seja alguma coisa atávica, oriunda do chamado subconsciente coletivo e que data de remotas eras quando a fome rondava as habitações e a principal preocupação era proteger suas crias da inanição.

Ainda naqueles tempos a cozinha era importante porque era lá que ficava o fogão, única fonte de luz e calor e onde todos se reuniam para se proteger nas longas noites de inverno.

Não sei porque trago tudo isso dentro de mim, talvez seja apenas um escudo atrás do qual me escondo tentando justificar esse amor à cozinha. Talvez seja oriundo do sangue português e italiano de meus antepassados que nunca se envergonharam de preparar seus próprios alimentos. Não trago em mim aquela  concepção que cozinha é algo para subalternos e gente da senzala, mesmo porque cozinhar não é para todos. É para quem nasceu abençoado com o dom da alquimia, mas que ao invés de transformar qualquer metal em ouro, transforma ingredientes simples e banais em iguarias dignas do paladar de deuses.

E já que amo cozinhar e nunca vou conseguir romper com esse amor, passei o domingo inteirinho na cozinha. Comecei com os biscoitos de chocolate e terminei com vários bolos, não sem antes passar por panetone, pão, torta de carne e sorvete de morango.  Foi maravilhoso, esqueci da vida e do tempo, um verdadeiro mergulho em um mundo que temo nem seja real tanto se assemelha com o paraíso.

Patchwork da Mommy



...um lugar para se falar de patchwork, quilt, receitas culinárias,gatos, plantas e o que mais vier...

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...