quinta-feira, 4 de julho de 2013

Pé de moleque

 

Vivo falando que não gosto de saudosismo,  que a vida não para e o tempo não espera ninguém. Vez por outra porém, minhas filhas me cutucam com lembranças da infância delas. Parece que o sentido do paladar é o mais bem guardado na memória, deve ser pelo instinto de sobrevivência que é despertado logo ao nascer, quando o bebê instintivamente procura o seio da mãe.

Aí perguntam, há quanto tempo não faz tal doce? Ou, ainda se lembra como é feito aquele feito no aniversário de 8 anos? Como se o fato houvesse acontecido ontem após o almoço. Como mãe é tudo igual, só muda o endereço, lá vou eu em busca de meus cadernos de receitas bem antigos, onde anotava o que conseguia aprender vendo minha sogra, a mãe dela e as irmãs fazerem doces e mais doces, sempre que havia um aniversário. As receitas eram de cabeça e as medidas eram em pratos (pratos esmaltados que hoje nem existem mais), punhados ou peças. Naquele tempo deveria ser tudo padronizado, hoje é impossível se basear em tamanhos. Tenho tentado transformar em medida de peso para facilitar e tentar padronizar, já que me falta aquele dom instintivo que possuíam as mães e avós e que as fazia saber exatamente quando o doce estaria no ponto de cortar, vidrar ou qualquer outra coisa.

Nessa época de festas juninas e julinas, as lembranças recaíram sobre canjica, mané pelado e o que parece ser o doce preferido delas – Pé de moleque.

Alguém me diz comi um pé de moleque gostoso, mas não era igual ao seu. Outra, faz tanto tempo que não como daquele pé de moleque que só você ou a vovó sabiam fazer. Acabam me convencendo, e aí vou eu atrás de rapadura (como está difícil encontrar uma rapadura boa) e amendoim. Aliás, parece que não se usa mais fazer pé de moleque de rapadura, tenho visto as receitas mais variadas que levam açúcar, leite condensado, glucose e outros ingredientes, algumas levam até chocolate. Eu continuo com a receita tradicional, que me foi passada em segredo e que só agora revelarei pela primeira vez. O único segredo é utilizar ingredientes de primeira qualidade.

Ingredientes

1 kg de rapadura pura ( me disseram que a boa é baiana)

500 g de amendoim graúdo, torrado e sem pele.

1 xícara, das de café, de leite integral.

Dividir o amendoim em duas partes e passar uma delas no liquidificador pulsando para que não fique muito fino. O restante deixar em bandas. Reservar.

Cortar a rapadura em pedaços  e colocar em panela de fundo bem grosso com o leite. Levar ao fogo até derreter e ficar em ponto de bala mole. Para ver o ponto, ponha água em uma xícara e pingue a calda de rapadura, pegue juntando os dedos, se formar uma bolinha macia, está no ponto. Tirar do fogo, acrescentar o amendoim e começar a mexer vigorosamente com uma colher de pau. À medida que vai esfriando o doce vai ficando mais pesado, quando perder o brilho despeje imediatamente em um tabuleiro untado. Espere amornar e marque os cortes com uma faca. Depois de frio é só separar os doces e guardar em vasilha bem tampada, isto é,  se sobrar.

Patchwork da Mommy



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