domingo, 26 de janeiro de 2014

Avencas

 

Tem gente que se recusa a possuir uma avenca com medo que ela a denuncie porque dizem que a avenca é o termômetro da fidelidade.

Não sei se isso é verdade ou não passa de superstição, o certo é que as avencas, como os gatos,  são muito temperamentais. Sendo todos farinha do mesmo saco,  eu, os gatos e as avencas, nos damos muito bem.

Creio que o traço mais marcante da avenca é sua independência, se não gosta do ambiente, definha. E não adianta molhar, adubar, trocar a terra, quando ela embirra é melhor esperar que se complete o ciclo.

Sempre gostei muito de avencas e as tenho cultivo ao longo da vida. Nem sempre com sucesso, época houve em que até suplicava a elas que me indicassem o que as faria felizes. Pensei em desistir, mas a beleza delas sempre me enchia os olhos, continuei a comprar e acomodar em diversos lugares para ver a reação que tinham.

Aprendi muito com elas e hoje as vejo como instrumentos de que a vida lançou mão para colaborar com minha cura interior.  Sei agora que a paciência é uma virtude essencial para uma vida de qualidade. Saber esperar o momento, reconhecê-lo quando chegar e usufruir o máximo dele, não é para qualquer um. 

É preciso sabedoria, e sabedoria quem dá? O exercício da paciência.  Ter fé e saber esperar é como semear e aguardar o momento da colheita. Parece fácil, mas é um exercício diário de entrega e de humildade, é preciso cortar na carne, cair e levantar quantas vezes forem necessárias  até que finalmente torna-se um hábito.

Aí então realiza-se o milagre da transformação, o que parecia impossível cai em nossas mãos serenamente. Finda-se um ciclo de aprendizagem e no horizonte já vislumbramos outro, agora mais experientes e sobretudo mais pacientes.

Assim minhas avencas, agora  exuberantes,  balançam   orgulhosamente suas hastes ao vento, encobrem os vasos e os tons de verde se entrelaçam com tal harmonia que fazem meus olhos se encherem de lágrimas. Lágrimas de emoção, de amor e  felicidade diante de tanta beleza.

…” e foi o tempo e o amor que dediquei às minhas avencas que as tornaram tão importantes e belas …”

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Salada de improviso

 

E tem aquele dia quente, com muitos afazeres e pouco tempo. Quero uma comida leve, saborosa e que não aumente a sensação de calor e de preguiça que agarra a gente e não quer soltar.

De preferência um prato único e que utilize ingredientes que já estão à mão, ninguém se anima a ir ao mercado em dias quentes e secos. Essa a minha disposição, abro o armário e lanço mão de meio pacote de macarrão penne tricollore que estava solitário  e  meio esquecido.  Todo mundo sabe que amo macarrão, de todas as formas, com molho sofisticado, ao alho e óleo, com legumes, espinafre e por aí vai.

O que poderia me inspirar mais para um dia de calor? Salada de macarrão. Muitos pensam que salada é só misturar uma porção de coisas e pronto. É quase isso, só que eu particularmente me esmero em certas etapas.
Cozinho a massa, escorro e envolvo imediatamente em maionese para que absorva bem o sabor enquanto esfria. Só depois de morno acrescento os outros ingredientes para que a textura não se modifique com o calor.

A massa é a base, junto a ela o que estiver mais à mão, como grão de bico e ervilhas que sempre tenho pré cozidos e congelados, azeitonas, passas claras ou escuras, alguma castanha em lâminas  para dar uma crocância especial.

Ingredientes

300 g de penne tricollore grano duro, cozido em água temperada com sal grosso.

100 g de grão de bico pré cozido

50 g de ervilhas congeladas

50 g de passas demolhadas em água para hidratar

30 g de castanhas, usei castanha do Pará

Azeitonas à gosto

Maionese à gosto. Como meus ovos são do quintal, posso me dar ao luxo de fazer maionese em casa, com os temperos que mais me apetecem no momento. Nessa usei óleo de milho, azeite extra virgem e alho.

Guarneci com baby couve, da minha horta, tenra e deliciosa.

sábado, 18 de janeiro de 2014

E os pães voltaram…

 

Não que algum dia eu tivesse deixado de fazer pães, é uma paixão. Para mim o pão é um alimento perfeito e por isso é consumido há tantos milênios.

Dei uma pausa na publicação das receitas de pão porque muitos queriam saber quem comia tanto pão. A verdade é que comem mesmo e também levam. Gosto de presentear as pessoas que amo com coisas que eu mesma faço, então pão é uma delas. Se gostam, aí  minha alegria se multiplica.

Mas, ano novo, posts novos, receitas novas, pães novos. Só o que não é novo é mesmo meu amor pela cozinha. Cozinhar é o maior dom com que Deus me agraciou e procuro fazer dele um exercício de amor à minha família e aos que me dão o prazer de conviver comigo.

Não faço pão todos os dias, mesmo porque tenho minhas outras obrigações, os bordados, o patchwork, a leitura e principalmente escrever, outra paixão dentre as tantas que me ocupam os dias. Geralmente faço três vezes por semana, assando 2 de cada vez. Quase sempre congelo um para alguma ocasião de aperto.

Gosto de planejar meus dias, é raro me levantar e dizer hoje vou fazer isso… Então se vou fazer pão, aproveito que o forno será ligado para assar também um bolo, uma torta ou biscoito. Não sou muquirana mas não suporto desperdícios e quando desligo o forno e tiro o pão, aproveito o calor para torrar as cascas de ovos que depois transformo em farinha e vão enriquecer a comida das galinhas.

Todas as receitas que publico são testadas antes e a maioria sou eu que invento mesmo, então as fotos são verdadeiras e só falo que ficou gostosa se ficou mesmo.

Quem não tem muita prática com panificação, por vezes encontra dificuldades em obter bons resultados nos primeiros pães. Estou elaborando umas dicas que facilitam um pouco, coisas que as pessoas não gostam de contar, “os pulos do gato”.

Meus pães são feitos na MFP, mas com a mesma receita pode ser feito à mão, não é preciso mudar nada, só utilizar a força do braço. Só utilizo a MFP para misturar e sovar os ingredientes, quando a massa está pronta retiro da cuba e coloco em uma bacia polvilhada para crescer. Se o tempo está seco cubro com um plástico, assim a massa vai reter a umidade necessária. Se estiver úmido não é necessário cobrir.

Ingredientes

550 ml de água gelada

2 colheres de leite em pó

1/2 colher de sal marinho

2 colheres de açúcar mascavo ou cristal

1 colher de iogurte integral natural , uso o que faço em casa na iogurteira.

50 g de farelo de aveia

2 colheres de linhaça

900 g de farinha de trigo para pães

1 colher de fermento biológico seco instantâneo

Colocar os ingredientes na MFP na ordem acima. Ligar e selecionar o ciclo massa.  Terminado retire a massa e leve a crescer em tigela coberta por cerca de 1h30min, ou até dobrar de volume.  Despejar a massa numa bancada polvilhada, dividir em 2 e moldar o pão no formato que desejar. Colocar em forma untada e enfarinhada e levar para crescer até dobrar de volume. Antes de levar ao forno pincelar com clara misturada com um pouco de água e polvilhar gergelim. Usei gergelim com casca.

O forno deverá ser pré-aquecido a 200° Colocar o pão e após 10’ reduzir para 180 e terminar de assar. Quando a côdea estiver dourada e firme tirar do forno, desenformar e colocar sobre uma grade para esfriar.

Nunca, jamais, corte um pão logo ao tirá-lo do forno, ele continua assando até esfriar completamente. Quando se corta o pão quente ele perde o ar e murcha.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Bolo mesclado

 

Essa é uma receita muito antiga e tradicional na família. Costumam chamar de o “bolo da mamãe” . Faz parte daquelas receitas que a gente guarda no fundo da gaveta, era o “ bolo de aniversário”.

A cobertura de marshmallow e chocolate é uma combinação perfeita e resulta num belo visual. No da foto decorei com cerejas frescas, porque estava na época delas e a filhota gosta muito, mas com cerejas em calda também fica muito bonito.

Deve ser feito de véspera para que os sabores da calda e recheio penetrem na massa do bolo e a tornem mais úmida e saborosa.

Para montar é bom utilizar um aro ou na falta dela montar em uma forma e desenformar no outro dia quando estiver firme.

Ingredientes

Massa:

5 ovos grandes

2 xícaras de açúcar

1 colher, das de chá, de extrato de baunilha

1 xícara de leite  integral fervente

2 xícaras de farinha de trigo peneirada

1 colher de sobremesa de fermento em pó.
Separe as claras e bata na batedeira até o ponto de neve, juntar as gemas, a baunilha e o açúcar e continuar batendo até obter um creme claro e fofo. Despeje aos poucos o leite fervente e bata mais um pouco. Desligue a batedeira e utilizando um fouet ou espátula misture delicadamente a farinha peneirada com o fermento. Assar em forma redonda de 28 cm de diâmetro, untada e enfarinhada, eu costumo colocar uma folha de papel toalha no fundo da forma para facilitar na hora de desenformar. Forno pré-aquecido a 200° por cerca de 40 minutos. Para verificar se está assado tocar levemente com os dedos o centro do bolo que deverá estar firme e dourado.

Recheio

1ª parte - creme

1 lata de leite condensado Moça

3 gemas

3 colheres de amido de milho

500 ml de leite integral

1 lata de creme de leite

1 colher, das de sobremesa, de extrato de baunilha.

Em uma panela coloque o leite condensado, o amido e as gemas e misture bem, acrescente o leite quente, leve ao fogo mexendo sempre até estar cozido. Tirar do fogo, acrescentar o creme de leite e a baunilha, misturar bem, despejar em recipiente frio, cobrir com filme plástico deixando que encoste no creme e esperar esfriar.

2ª parte – frutas em calda

1 lata de pêssegos em calda, escorrer, reservar a calda e cortar o pêssego em pedaços pequenos, não minúsculos.

Compota de 1 abacaxi, descascar o abacaxi, cortar em cubinhos, acrescentar meia xícara de açúcar cristal e levar ao fogo em panela de pressão. Depois do sinal, deixar 5 minutos, desligar o fogo e deixar esfriar totalmente antes de abrir. Costumo aromatizar a compota com anis estrelado, mas pode ser utilizado cravo da índia.

Cortar o bolo, já frio, em 2 camadas.  Colocar a primeira no fundo da forma e utilizando um pincel, os de silicone são mais práticos, pincele com a calda do pêssego até que fique  úmido. Espalhar metade do creme e por cima arrumar o pêssego.  Levar à geladeira para firmar um pouco.  Colocar a outra camada e regar com a calda do abacaxi, colocar o restante do creme e o abacaxi. Levar à geladeira e quando estiver firme colocar a última camada e pincelar com o restante das caldas. Cobrir com filme plástico de deixar de um dia para  outro na geladeira.

No dia seguinte desenformar e aplicar a cobertura.

Cobertura – Marshmallow

2 xícaras de açucar

1 xícara de água

1/4 xícara de Karo

3 claras ( as que sobraram do recheio)

1 colherinha de baunilha.

Fazer uma calda em ponto de fio com o açúcar, o Karo e  a água. Colocar as claras na batedeira e quando a calda começar a borbulhar, ligar a batedeira. Quando atingir o ponto de neve despejar lentamente a calda fervente, borbulhante sobre as claras, sem desligar a batedeira. Acrescentar a baunilha e continuar batendo até esfriar, ficará bem consistente.
Cubra o bolo com uma camada grossa, despeje a calda de chocolate por cima e faça movimentos com um garfo para criar os arabescos.

Decore com as frutas que desejar.

Calda de chocolate

2 colheres de açucar cristal

1 colher de açucar mascavo

2 colheres de cacau, uso o orgânico que é mais saboroso, pode ser substituído por chocolate 50% cacau

1 colher, das de chá, de manteiga sem sal

2 colheres de leite.

Levar ao fogo baixo mexendo sempre por 5 minutos. Utilizar morno.

Lembretes:

Este bolo deve ser conservado na geladeira pois é muito úmido e se o tempo estiver quente pode desmoronar.

Essa receita é suficiente para 20 porções.

Não deu para fotografar depois de cortado porque acabou muito depressa. Quando fizer outro posto a foto.

Salada despretensiosa



Quando penso em salada logo me vem à mente folhas como agrião e rúcula. Adoro o sabor delas, forte, adstringente, cheio de personalidade. Pena que sofram certo preconceito, não poucas pessoas já me disseram que detestam as duas. Uma vez levei um maço de rúcula para uma vizinha, recém-colhidas em minha horta. Ela não conhecia, mas depois me disse para nunca mais levar porque havia detestado e jogado fora.
Quando se compra o agrião em feira ou supermercado, as folhas externas e os talos são descartados por uma simples questão estética. No entanto são ricos em nutrientes e não devem ser desperdiçados. Limpo e separo as folhas da salada e as “feinhas”,  assim como os talos, pico bem miúdo e acondiciono em saco plástico bem vedado. Aproveito depois em sopas cremosas, em recheios de omeletes ou enriquecendo recheios de tortas.
Não há nada mais fácil do que inventar uma salada, depende do que apetece mais a cada um. Procuro sempre variar, não há uma igual à outra.
Ingredientes
Folhas de agrião e de rúcula, de preferência orgânicos, bem higienizadas
2 maçãs, as miúdas são mais saborosas, com casca , cortadas em cubos e deixadas de molho em água com limão.
2 carambolas em fatias, usei carambolas ácidas.
1 cebola roxa, pequena , em meias-fatias.
Salsa, coentro e cebolinha à gosto.
Arrume as folhas no prato de servir, no centro coloque a maçã escorrida, a cebola e os temperos verdes. Salpique com uma nuvem de sal marinho.Arrume as fatias de carambola de maneira decorativa. Regue com um pouco de limão e  azeite extra virgem e polvilhe gergelim torrado na hora.
Pessoalmente gosto de sentir os sabores se mesclando na hora da degustação por isso não carrego em temperos como sal e pimenta nas saladas. Só o mínimo indispensável.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Clafoutis de figos

 

Os muito puristas que me perdoem, não entro em discussões  e nem em movimentos para preservar a origem de certas preparações. É quase impossível se cozinhar como há 50 anos, o que dirá manter receitas intactas através dos séculos. Sei que o Clafoutis original é feito com cerejas frescas, mas não tenho cerejas no meu quintal, tenho figos, então fiz Clafoutis de figos.

E à propósito ficou maravilhoso. Os figos estavam bem maduros e saborosos. Fiz uma calda  mel orgânico,  açúcar mascavo orgânico e canela em pó e passei cada metade de figo na calda para que as sementinhas absorvessem o sabor.

Como meu refratário era pequeno, utilizei também alguns ramequins.

Ingredientes.

10 figos

2 colheres bem cheias de mel

1 colher de açúcar mascavo

1/2 colher, das de chá, de canela em pó

1 folha de louro

4 colheres de manteiga sem sal (80g)

6 ovos

1/2 xícara de açúcar baunilhado (100g)

2/3 xícara de farinha de trigo (80g)

1 xícara de leite

1 pitada de sal

Açúcar de confeiteiro para polvilhar.

Untar um refratário de 27cm de diâmetro com manteiga e polvilhar açúcar. Como meu refratário só tem 20 cm, usei 4 ramequins para complementar.

Em uma frigideira colocar o mel, o açúcar mascavo, a canela e a folha de louro. Deixar no fogo mínimo até dissolver e incorporar os ingredientes. Cortar os figos ao meio no sentido do comprimento e colocar sobre a calda com o lado cortado para baixo. Retirar cuidadosamente e arrumar no refratário.

Derreter a manteiga e deixar esfriar. Bater o açúcar com os ovos na batedeira ou usando um batedor elétrico, Acrescentar a farinha de trigo, o leite e a manteiga aos poucos, mexendo delicadamente.

Despejar esse creme sobre os figos com cuidado e levar a assar em forno pré-aquecido a 180° por 30 a 35 min. A massa deverá estar firme e dourada. Esfriar sobre uma grade e servir morno ou frio. Se quiser acompanhe com sorvete de creme.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Sorvete de manga, pra quem não tem sorveteira

 

Creio que todo mundo  gosta de sorvete caseiro, com gosto de fruta colhida na hora, ou pelo menos descascada na hora.                              

Agora no verão, quando as frutas estão explodindo de belas e saborosas, nada melhor que um sorvete para acalmar o calor que teima em permanecer sobre nosso Brasil varonil.

Sorvete é muito fácil de fazer, mas quando não se possui sorveteira, às vezes fica um pouco complicado porque a parte de bater o sorvete para deixá-lo cremoso é cansativa.

Adoro atender os pedidos dessas lindas pessoas que muito me honram com a leitura de meus post e que considero grandes amigos.     

Testei então uma receita de sorvete de manga que não precisa de sorveteira e nem de bater depois de gelado.

Como não gosto de sabores muito adocicados e as mangas estavam bem maduras não usei açúcar. É bom provar e só colocar o açúcar no final.

Ingredientes

600 g de iogurte natural de consistência firme

600 g de manga madura cortada em cubinhos e bem gelada, quase congelada mesmo

Açúcar na quantidade necessária.

Colocar o iogurte no liquidificador e  acrescentar aos poucos a manga batendo até que fique bem cremoso. Provar antes de colocar açúcar. Se não for servir imediatamente conserve na geladeira, sirva enfeitado com pedacinhos de manga.

Como faço o iogurte com leite integral, ele tem consistência bem firme, não sei se com o industrializado o resultado será o mesmo.

 

Fica um sorvete bem saboroso e refrescante e o melhor, é facílimo de fazer.

Espero que gostem!

Patchwork da Mommy



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