segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Que saudades Pai...

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Não sei a cor da saudade, mas penso que ela devia ser roxa, a cor das flores da lavanda. Muitos dizem ser o roxo uma cor triste, não concordo. O roxo é uma fusão do vermelho da paixão com o azul da serenidade, não pode jamais ser triste.

Ademais saudade não é algo ruim, se temos saudades de alguém certamente é porque vivemos momentos maravilhosos ao lado dessa pessoa. Ninguém tem saudade do que é ruim ou marcou negativamente sua vida.

É certo que quando estou saudosa as lágrimas transbordam em meus olhos, às vezes calma e lentamente, outras em borbotões como se rompessem um dique.
A saudade que me confrange hoje é calma e serena e já mora comigo há muitos anos. É a falta de alguém que viveu comigo aqueles anos inesquecíveis da infância e da juventude, quando a gente sente tudo com mais sabor. As cores são mais vibrantes, o medo não existe, os dias são longos, radiantes e cheios de surpresas.

A primeira pessoa que via ao abrir os olhos pela manhã e que à noite me punha na cama, cobria, lia estórias e esperava que eu adormecesse para só então apagar a luz.

Desfazia minhas dúvidas na hora da tarefa escolar, determinava quantos livros eu tinha de ler, me ensinou a pesquisar em dicionários e enciclopédias, espécie de livros que os mais jovens nem sabem o que é.

Enquanto muitos brincavam na rua, eu aos quatro anos de idade já lia e ficava horas sentada na companhia dos contos de fadas. O som da máquina de escrever dele era música para meus ouvidos.

Poeta nato. Foi com ele que aprendi a gostar de poesias, primeiro a ler e depois a escrever. Os livros que lotavam a estante eram o bem mais precioso para mim e para ele.

Regularmente limpávamos todos com um pano. Foi ele que me ensinou a gostar de arte e quando fiz seis anos me presenteou com meu primeiro estojo de aquarelas. Mais tarde vieram livros sobre técnicas de pintura e história da arte.

Não seria o que eu sou e não teria essa alma tão sensível não fosse por ele.
Ele não me deixou cedo, fui eu quem chegou tarde demais na vida dele.

Pai, onde estiver me abençoa, recebe meu beijo e continua velando por mim.



Patchwork da Mommy



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