sexta-feira, 6 de junho de 2014

Minha janela


babador, toalha capuz, George, sorvete manga 017
Não me lembro mais a idade que tinha quando li pela primeira vez a crônica de Cecília Meireles "A arte de ser feliz", devia ser bem criança ainda, porque aos 8 anos já lia Machado de Assis e idade cronológica nunca foi um referencial para mim.
O certo é que me apaixonei por Cecília Meireles imediatamente porque era a primeira pessoa que entendia a importância das janelas e como a felicidade  está sempre ali, às nossas vistas . Sei que tem gente que não entende como se pode ser feliz com tão pouco e até me questionam como posso me considerar feliz com o pouco que tenho.
Minha felicidade não se conta pelos bens materiais, assim como não dependo da companhia de ninguém para ser feliz. Sou feliz porque nasci para sê-lo, tudo o mais vem pelo acréscimo da Misericórdia Divina e me faz transbordar.
Amo janelas, já o disse várias vezes e não sei se por isso sempre há coisas lindas em frente às minhas. Era bem pequena e em frente à janela de meu quarto havia uma goiabeira, o tronco era lindo,  cheio daquelas manchas que me faziam imaginar quem havia pintado.
Houve uma época em que estudei no Lyceu e a janela da sala de aula, aquela linda janela de madeira maciça, emoldurava flamboyants floridos que me enchiam os olhos e a alma sonhadora. E quando ouvia o Prof. Vivaldo Araújo recitando seus poemas imaginava estar no paraíso. Ainda sonho e o professor ainda escreve.
Anos depois, minha sala de trabalho ficava no 1º andar, com enormes janelas que se abriam para o bosque do Mutirama, as paineiras faziam a festa de meus olhos, percebia até quando suas folhas balançavam no ar e tombavam atapetando o chão e deixando lugar para as flores da cor que tanto amo.
janela 002
Creio que foi nessa época que comecei a me perguntar por qual razão certas coisas pareciam ser importantes apenas a meus olhos. Alguém me disse um dia, isso é apenas uma árvore… eu sou apenas uma pessoa, no entanto ocupo meu lugar no mundo.
Tempos depois fui morar em um apartamento e da janela via um quintal cheio de árvores frutíferas como cajá-manga, jabuticabeiras enormes, laranjeiras, limoeiros e outras, umas maiores e outras menores que pareciam se abrigar à sombra das mais antigas. Não dava para ver a fachada da casa, mas eu imaginava que era linda, com um pomar daqueles deveria ser uma casa encantadora. 
Certo sábado quando olhei pela janela não havia mais nada, todas as árvores haviam sido cortadas e uma triste casinha se expunha envergonhada aos meus olhos aflitos e indagadores. Chorei, chorei muito, como só os desamparados choram e depois ouvi do dono da casa que as árvores sombreavam muito a casa por isso foram cortadas.  Por que há no mundo pessoas que pensam assim?
Jurei a mim mesma que não mais olharia através de janelas. Jura falsa, não se pode mudar o coração e diante dos meus olhos as janelas têm se sucedido e as pequenas alegrias também.
Não sou ligada ao passado e o futuro não me diz nada, prefiro deixá-lo sempre nas mãos de Deus. Resta-me então o presente e esse sei saborear com sofreguidão.
Não há sequer um minuto igual ao outro, as flores de hoje têm perfume diverso de ontem e em frente à minha janela, entre outras coisas há dois pequizeiros que muitos já me aconselharam a cortar porque a olhos estranhos não parecem decorativos. Eu os amo e pretendo bordar seus troncos com orquídeas.
A felicidade está sempre ali, na minha frente, basta estender a mão, talvez por essa razão precise sempre de tão pouco em bens materiais. E também não me zangue quando me perguntam porque moro tão mal. Não entendem que o importante para mim é o conteúdo e não a casca.
Bom… as paredes do meu quarto são lilás, a cor que mais amo. É um luxo que me permito.

Patchwork da Mommy



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